Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Março 31 2010

Alguém nos afogou

em rios de preconceitos sem sentido.

 

 

Preconceitos

que fizeram de nós

heróis

agrilhoados.

 

 

Algo de nós lá ficou

no alcatrão amolecido

dos caminhos já sujeitos

dos nossos antepassados.

 

 

CACILDA CELSO

in (Sede Consentida)

publicado por virginiabranco às 17:29

Março 31 2010

Asas que tenho

milagre estranho

de século preso

a quanto tem peso.

 

Asas seguras

Por cordas escuras

Liames do mundo.

 

Amarras amargas

que suportam cargas

de efeito fecundo.

 

Asas que lanço

em horas descanso

da hora que arraza.

 

Esforços etéreos

de novos impérios

forjados em asa...

 

CACILDA CELSO

in (Sede Consentida)

publicado por virginiabranco às 17:21

Março 31 2010

Enquanto outros combatem esforçados

Ele trémulo me atém, impreciso

Afivelado ao rosto nostálgico sorriso

Num jeito que me traz desfigurado

 

Simulação de um homem de verdade

Sou parco de vontade, de ambição

Mais me move o gesto e a razão

Que o gosto de qualquer frivolidade

 

Sei desta vida pouco mais levar

Que o atavismo de uma alma breve

Já conformada à negação de amar

 

Que almo inda me pode tornar leve

A terra que me vai acobertar;

Outra expressão que tudo isto releve?

publicado por milualves às 17:09

Março 31 2010

Fala-me só de amor! Amor que gera

Um laço que se estreita, prende e cinge

O coração que crê e, firme, atinge

A meta de uma luz que se acelera

 

Amor que tu me dás é Primavera

Rubro beijo que minha boca tinge.

Há brilho nesse olhar que nunca finge,

E dor na tua alma, quando espera...

 

Fala-me só de amor! Mesmo em segredo...

Nesta furna escondida no rochedo,

Onde escavo o meu leito nupcial.

 

Depois, vela meu sono com carinho!

Pois amar embriaga mais que o vinho

E a delícia do sonho é divinal...

 

 

GLÓRIA MARREIROS

in (Embalar a Mágoa)

publicado por virginiabranco às 17:09

Março 31 2010

caía a cal nos contornos dos olhos

apertava a seda das cortinas

numa larga tangente entre esferas

e cortava os frutos

respirando contra os candeeiros alérgicos

 

vertical as folhas

ressurgiam nos dedos

e era como se reescrevesse a antologia da pele

a porta trancada

do outro lado um berço de malmequeres artificiais

caminhava no rodapé quente

vedando o sangue num xaile de serpentes

vou inclinada na bússola autopsiar a chuva

 

 

CLÁUDA BORGES

in (malmequeres os lábios molhados)

publicado por virginiabranco às 16:51

Março 31 2010

mulheres alumiam-se saltando as válvulas dos quartos

nos lagos

cornucópias roxas demorando-se na espuma

desarrumam-se os olhos

para comprar as escarpas verdes do vento

cadeiras adormecendo

artesões pintando esplanadas de espuma

elas corriam pelas ruas

com os jornais metidos na voz

e o cetim dos ombros derramando-se pelas estátuas

eram breves

pálidas

afastando as luas

para colherem o bronze das nuvens

tinham a barriga escavada pelas ondas

e os dedos recortados

sobre uma inocência de veludo

retocavam as queimaduras dos relógios

penteavam as ramagens de porcelana

segurando lamparinas

caminhavam

desprendendo lágrimas de verdete

sobre traves compridas

com sete saias de marfim respirando a brisa

as casas envelheciam

e elas reconstruíam-se nos charcos de esferovite

pulsando a beleza acrílica das canoas

 

 

CLÁUDIA BORGES

in (malmequeres os lábios molhados)

 

publicado por virginiabranco às 16:15

Março 31 2010

tenho malmequeres nos cabelos e lábios molhados

vêm piratas consumir-me os poros

há mercados no respirar dos acordes

entre os teus braços

alumio a garganta com laranjas

e soam flautas sobre os lençóis

escrevo-te com as ancas

sublinhando os nomes

e a paixão agarrando as estações

eu torço cascatas

e as noites sufocam-me

as paredes esbatem-se na minha caligrafia quente

escrevo-te

sobre os bancos de aço

que me cosem a pele

sobre a insónia fria da madeira

peço-te roupas amarelas

e que me ates as vértebras ao sono

visto-me com as facas de lantejoulas

subo varandas

com as artérias queimadas do silêncio

escrevo-te

enquanto os quartos se alagam

e os cometas envenenam marcadores

trepa-me a boca

para que as palavras sejam mais leves

e com o coração riscando nebulosas

escrevo-te numa carta toda branca

enquanto as ondas crescem

e as nossas caras

escoam a largura dos icebergs púrpura

publicado por virginiabranco às 16:01

Março 31 2010

                            Poema de Abril

                            Poema de Liberdade

                            Uma flor

                            Um cravo

                            Uma verdade

                            Povo audaz

                            Liberto da escravidão

                            Amarras cortadas

                            Da vil servidão

                            Portugueses firmes

                            De bocas caladas

                            Sofreram

                            Partiram

                            Morreram

                            Em Abril renasceram

                           

                           

                            Poema de Abril

                            Poema de liberdade

                            Sonho de homens livres

                            Tornado realidade

                            Força de um povo

                            De mãos dadas

                            Lado a lado

                            Num mundo novo

                           

 

                            Gente do meu país

                            Vozes que gritam sem medo

                            Meu Portugal de Abril

                            Porque não vieste mais cedo

 

 

                            Helena Paz

 

publicado por milualves às 13:37

Março 30 2010

Cansei de procurar a felicidade

Exausta, sem esperança nem alento

Léguas que percorri na mocidade

Em asas movediças, contra o vento

 

Paixões que foram alvo de esperança

Hoje, longe de mim, sem ter mais volta

Apenas uma brisa, fresca e mansa

Embala-me a saudade que anda à solta

 

E neste caminhar de desventuras

Eu sinto derrubar as estruturas

Dum coração, que bate contrafeito

 

Cansado, destruído eternamente

Que a vida me causou, tão duramente

Que os restos imortais, guardo no peito.

 

Lisdália Viegas Santos

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 22:51

Março 30 2010

Por tudo quanto há, de mais sagrado

Ao menos uma vez! fala verdade!

Não mintas por despeito, isso é pecado!

Quero antes, enfrentar a realidade!

 

O teu olhar sombrio, me condena!

Sinto-me de ti, uma prisioneira

Do teu teatro da vida! eu sou a cena

Sou a lágrima dolorida!... carpideira…

 

A minha dor! oculta solidão!...

Em que me vejo! e sinto o coração!

Repelente da cadeia dos teus braços!

 

Como se eu fora, a coisa mais banal

A água conspurcada dum caudal

Ou lama, demarcada p’los teus passos

 

Lisdália Viegas Santos

Postado por Liliana Josué

publicado por cantaresdoespirito às 22:49

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